entre as cadeiras e a tensão – no sentido provocador - presente na nossa discussão
sobre impressões e pressões de nosso processo
pra mim esclareceu alguns aspectos relativos às nossas possibilidades de “agenciamento” – essa inclusive foi uma palavra dita ontem
e assim os percebi no caminhar, havia uma apreensividade
e em mim também senti esta apreensividade
Chegamos em casa e a embriaguez do álcool e da fumaça
nos ajudou a insistir no processo,
Manter-se nele e falar despretensiosamente sobre tais im-pressões
E a idéia de despretensão persistiu em mim
Do que pouco sei das nossas configurações, insisto agora na pergunta que nos fiz ontem
O que nós queremos fazer com isso?
Me parece que fugimos dos esquemas categóricos e classificatórios, mas estamos diante da decisão de um processo que nos arremessará dentro, fora, ou onde quer que seja no campo das classificações....
E quando falo de despretensão penso num desapego também,
Não há nenhum apego quando descrevo a imagem de um espaço pra vocês no MAM,
Como entendo que não há nenhum apego com as propostas que vimos ontem
São possibilidades que saem do campo da abstração e tentam um sítense
Despretensiosamente é que me encorajei a escrever estas idéias soltas, na confiança de que a confusão e os desencontros entre nós, são potências
aí vão, sem medo nem apreensão, assumindo o risco do erro, da idéia fora do círculo do COMPASSO.....
Na reverberação desse compasso em vocês é que vou perceber a tangencia ou o luto destas idéias
pessoalmente me interessa a possibilidade da performance
Ainda que saiba do meu desconhecimento sobre o tema, sou verde verde
Fico tentando visualizar ações de deslocamento, que não se dão pelo traçado de uma trajetória, mas pelo manter-se num lugar e deslocar algo dentro dele, ainda numa abstração: deslocar o flamenco
Ando pensando no clichê circense dos números, vocês lembram disso?
O espetáculo do circo é composto por números
No nosso deslocamento:
Diferentes números apresentados de forma a criar circuitos guiados por “narrativas” disponíveis em diferentes “canais de mídia” que são fones de ouvidos
Um número:
Um “espantalho” saturado pelas iconografias flamencas
Um iconoclasta chifrudo de pé de bota pesada e militar martelada com prego, cartas de baralho e penetas forjando uma cabeleira, velas saindo pelas extremidades e queimando o plástico da peneta e do baralho
um objeto
óculos cujas lentes são os olhos mágicos em que vemos uma multidão nos olhando
o que vemos é o que nos olha
bem no ímpeto da arena
do olhar panóptico às avessas
do olhar como coerção numa exposição absolutamente desconfortante
uma televisão
e uma caixa de música desafinada abre e fecha abre e fecha
Imaginamos – eu pedro e laura embriagados
objetos
Um circuito de narrativas em fones de ouvido
E um espaço absolutamente silencioso
E diante da contrariedade da narrativa sobre a qual falamos ontem
É que pensamos em embriagá-la
Fazer uma dobra nela mesma
Lembrei de um trabalho do tiago, em que a narrativa de um espaço é que o configurava
Agora preparando pra queimar fogos de são joão.....
Deixo um beijo enorme
Pra dizer que ando aprendendo muito nesse processo e que a nossa diferença precisa nos inspirar num movimento de calma, espreita e emoção